Você conhece a "quinta pata" do cavalo?

Ontem eu estava no telefone com uma amiga querida, daquelas conversas boas que a gente estende sem ver o tempo passar, e o papo acabou caindo em uma cena que, infelizmente, é muito mais comum do que a gente gostaria de admitir.
Estávamos falando de uma conhecida em comum e da égua linda dela. Sabe aquela coisa curiosa? Toda vez que a dona monta, entra na pista e fecha a porteira, a égua começa a mancar. E é uma manqueira feia, daquelas que cortam o coração de quem vê. Mas o grande mistério — e o verdadeiro alívio — é que, bastava sair da pista, afrouxar a cilha e dar dois passos de rédeas compridas fora dali, e a égua estava inteira, perfeita, sem sinal nenhum de dor.
O que aconteceu ali dentro? A resposta para esse enigma tem nome e, por mais que pareça mágica, é pura biomecânica e emoção: é a famosa "quinta pata do cavalo".
Você sabe o que é isso?
Muitas vezes, impulsionados pela tensão do momento, pelo estresse do dia a dia ou até por aquele medo invisível que aperta o peito, nós, cavaleiros e amazonas, acabamos fechando a mão de uma forma excessiva e inconsciente. A rédea deixa de ser uma ponte de carinho e diálogo para se transformar em uma trava pesada. No passo e, principalmente, no trote — onde a harmonia do movimento depende inteiramente da nossa elasticidade —, essa mão dura corta o embalo do cavalo.
O animal, acuado por esse peso e por esse bloqueio na nuca e no dorso, tenta se defender como pode. Ele enrijece, perde a liberdade, e o seu caminhar se desmancha em uma irregularidade que nos faz jurar que ele está machucado. O cavalo "manca" porque a nossa rigidez pesou tanto que virou um peso morto, uma pata a mais que o puxa para trás.
É um ciclo silencioso. A pessoa não faz por mal; na maioria das vezes, nem percebe que está travada. E é justamente aí que mora o papel mais bonito de quem ensina: o olhar atento do instrutor para ajudar o aluno a soltar os ombros, respirar fundo, abrir a mão e devolver a liberdade ao animal. Porque a equitação que a gente acredita — e que a gente vive todos os dias aqui na Troá — não é sobre controle pela força, mas sobre a leveza de se mover junto.
Já passou por isso ou percebeu seu cavalo meio travado de repente? Aqui na Troá, a gente acredita que cada aula é um convite para soltar as amarras, escutar o cavalo e redescobrir o prazer de ser um só com ele. Venha tomar um café com a gente, conhecer nossa escola e sentir na pele o que é montar com o coração leve!

