Síndrome de Segunda Feira - Cavalo (de passeio e de esporte)x Condicionamento Físico

25/02/2015 17:34

Essa semana, mais uma vez, presenciamos fatos que sempre estão, infelizmente, se repetindo. A síndrome de segunda feira ataca novamente... e lá vem, de novo a frase: Não sei porque isso aconteceu com nossa família....

Cavalos e humanos tem muita coisa em comum. Ambos são mamíferos, o que faz com que ambos tenham organismos parecidos. As principais diferenças é que humanos são onívoros e bípedes, enquanto cavalos são herbívoros e quadrúpedes.

Porém se olharmos as figuras abaixo podemos notar estas semelhanças:

 

 

Conforme podemos notar na figura à esquerda , o corpo humano possui: sistema respiratório, sistema digestivo, sistema músculo esquelético, sistema urinário, sistema circulatório, sistema nervoso, sistema genital, as glândulas, etc.

Já a direita, temos o corpo do cavalo onde podemos notar que o equídeo também possui os mesmos sistemas: sistema respiratório, sistema digestivo, sistema músculo esquelético, sistema urinário, sistema circulatório, sistema nervoso, sistema genital, etc.

Já a direita, temos o corpo do cavalo onde podemos notar que o equídeo também possui os mesmos sistemas: sistema respiratório, sistema digestivo, sistema músculo esquelético, sistema urinário, sistema circulatório, sistema nervoso, sistema genital, etc.

 

 

O humano, quando vivia na natureza, caçava em grupos, pescava e plantava, vivendo sempre em movimento. Graças, entre outros fatores, ao maior tamanho do seu cérebro, o homem passou a ser o “Rei” da floresta e passou a construir o sistema em que vivemos hoje, com casas, apartamentos, bairros, comércio, industrias, cidades, estados, fronteiras, países.

Com isso muita coisa mudou no nosso dia a dia e passamos a sofrer consequências como doenças, problemas para se locomover, entre outros. Surgiu então a fadiga e o homem sedentário. Há vários problemas relacionados ao sedentarismo humano, relatados por diversos médicos em diversos países, mas que não fazem parte desta matéria.

Com todo o avanço que o homem teve, o cavalo passou a ser um animal domesticado. Quase não há mais cavalos selvagens, com exceção dos Mustangues nos EUA e de mais alguns em outros locais.

Os cavalos passaram a ter um propósito, então o homem criou diversas raças com aptidões específicas à domesticação de cada região. Por exemplo temos no Sul do país cavalos de lida campestre completamente diferentes dos cavalos do Mato Grosso, que possuem diferenças nos cascos para poder andar dias e mais dias dentro da área alagada.

Também temos cavalos de esportes, cavalos para fazendas, cavalos para passeio, para charrete, para atrelagem (sim, as duas últimas são diferentes), entre tantos outros usos atuais destes maravilhosos animais.

Porém, apesar das mudanças físicas e inclusive genéticas dos equídeos, a anatomia deles continua a mesma, assim como a anatomia humana.

Vemos ultimamente muitas pessoas terem cavalos como “pets” para passear no fim de semana, ou para andar ou para montar. Normalmente estas pessoas gostam muito de seus animais, e procuram sempre o melhor para eles. Então procuram um local com baias grandes e ventiladas, um local para soltá-lo, chamado de piquete, uma ração adequada ao seu uso (é isso mesmo, dependendo do uso do cavalo existe uma ração específica), entre outros cuidados e precauções necessários para o bem-estar de seu cavalo.

 

O problema a que nos referimos no inicio desta matéria é que fechar um cavalo em uma baia e deixa-lo lá, irá afetar sim sua fisiologia, e o mesmo passará também a ser um sedentário e terá como consequência doenças parecidas com os humanos como: falta de fôlego, dor, câimbras, enrijecimento de musculatura, entre outras. As mais comuns são falta de fôlego e o dorso selado. – Pois é o cavalo tem o dorso selado por falta de condicionamento físico, falta de exercício e não por excesso de comida como já ouvimos dizer.

Para combater este sedentarismo, esses proprietários devem lembrar que tão importante quanto o pasto e a baia de seu cavalo é mantê-lo em forma. É necessário lembrar que não adianta manter o cavalo a semana inteira confinado na baia e no fim de semana correr uma maratona. O cavalo não estará pronto, e por sua condição de submissão a seu cavaleiro, passará por cima de seu limite, mesmo se machucando gravemente. Além disso ao final do exercício é importantíssimo fazer um desaquecimento, assim como fazemos na esteira ou quando estamos correndo. Este desaquecimento deve ser feito antes da ducha, afinal a água fria na musculatura quente nem sempre é saudável, principalmente quando a respiração do cavalo ainda não está normalizada.

 

Os problemas advindos deste sedentarismo e uso inconsequente do cavalo podem ser muito sérios. Animais sedentários não tem uma preparação cardíaca e pulmonar adequadas para suportar altas cargas de exercício, sejam de curta (como um treino intenso de modalidade esportiva) ou de longa duração (como uma cavalgada de algumas horas, por exemplo).

Além destes riscos, que já são bastante sérios pois pode-se perder facilmente um animal que tenha problemas cardíacos (dos quais é muito raro que o dono não tenha ciência prévia) e seja submetido a um esforço físico inadequado; a principal consequência é o dano muscular. Infelizmente não é incomum que ocorra a miosite, popularmente conhecida como síndrome da segunda-feira. A miosite consiste na destruição dos músculos devido ao acúmulo excessivo de ácido lático, substância que eles produzem naturalmente, mas que quando se acumula exageradamente causa uma redução na chegada de sangue ao local; o que por sua vez faz com que os músculos afetados sejam literalmente destruídos. As células destes músculos se rompem, liberam proteínas que caem na corrente sanguínea e chegam aos rins, podendo levar a falência renal e à morte. O nome de síndrome da segunda-feira é dado justamente porque a maioria dos animais faz mais esforço aos finais de semana, sendo que os sintomas costumam surgir na segunda. Além disso, a ocorrência é maior em animais alimentados com grande quantidade de grãos, o que costuma ser precisamente o caso dos animais estabulados, bem alimentados mas pouco condicionados fisicamente.

Então, através deste texto, gostaríamos de alertar a todos sobre a importância de não se permitir que os cavalos passem por estes riscos desnecessariamente, sendo sedentários e depois exigidos além de suas capacidades. Principalmente pelas mãos de cavaleiros muitas vezes bem intencionados e preocupados com o seu bem-estar, mas que não tem consciência de que o adequado condicionamento físico é tão importante quanto a alimentação para a saúde do seu animal. Cavalo feliz e saudável é o cavalo que, além de ter uma boa baia e comida balanceada, pratica exercícios constantemente de acordo com sua atividade (passeio, rédeas, atrelagem, esportes, etc.)

 

 

Autores:

- Drª Beatriz Gregório - Médica Veterinária formada pela USP, especializada em Acupuntura e Reik para animais de pequeno e grande porte.

- Priscila Thomazelli - Equitadora, Atleta e Instrutora de Salto e Adestramento Clássico na Escola de Equitação Troá